Henriclown Tralalaico em: O Mistério do Poste que Cantava
Era uma manhã meio nublada, meio ensolarada (tipo o céu indeciso de domingo), quando algo muito estranho aconteceu em Mojiko Asu.
No meio da Praça dos Sonhos Engavetados, um poste de luz começou a cantar.
Sim, cantar. Em tom de reggae psicodélico, ele soltava frases como:
> “Ô minha lâmpada, brilha paz, não me deixe em blackout existencial...”
As pessoas se aglomeraram, algumas gravavam com o celular, outras rezavam. O cachorro do Seu Arlindo desmaiou de susto.
Foi aí que, sem ninguém notar de onde veio, surgiu Henriclown Tralalaico, flutuando numa nuvem de glitter de algodão doce, tocando um mini-ukulele invisível.
— “Calma, calma, calma… esse poste tá só com saudade de quando ele era vagalume,” disse ele, girando três vezes antes de pousar com seus tênis de barulho de pato.
Ele deu uma piscada pro poste, que respondeu com um estalo de luz roxa.
— “É isso mesmo, ele precisa de poesia, não de fiação,” disse Henriclown, enquanto tirava da bolsinha um pedaço de céu engarrafado.
Ele abriu a garrafinha e espalhou o céu azul sobre o chão. As crianças começaram a rir. O poste, agora emocionado, soltou uma última nota aguda e parou de cantar. No lugar do som, saiu um raio de sol do bocal da lâmpada, iluminando um pequeno bilhete escondido no chão:
> “Sonhe torto, mas sonhe. – Tralalaico”
As pessoas aplaudiram, algumas sem saber o porquê. Outras choraram um pouco, talvez por causa do vento de memória boa que veio junto.
Henriclown Tralalaico subiu de volta em sua nuvem flutuante e foi embora assoviando, deixando um rastro de balinhas de hortelã e pensamentos esquisitos no ar.
Dizem que, desde aquele dia, todo poste em Mojiko Asu guarda um poema escondido — só quem tem olhos de sonhador consegue encontrar.
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